Descrição
O volume II, de Psicologia Histórico-Cultural na Universidade, centra-se em uma temática atual socialmente relevante para a política de saúde pública e o movimento da Reforma Psiquiátrica no Brasil e, também, para a pesquisa e a formação em Psicologia: a temática da Saúde Mental e seus nexos com a totalidade da vida social e com o desenvolvimento (cultural) humano. A coletânea avança, e aprofunda, reflexões teórico-conceituais e discussões da prática profissional em Saúde Mental – algumas já apresentadas e, em parte, desenvolvidas no Volume I, publicado por esta editora universitária, sob o título Psicologia Histórico-Cultural na Universidade: pesquisas implicadas. Oferece, agora, além de um capítulo de introdução histórico-conceitual da temática geral, outros nove capítulos que têm em comum o Materialismo Histórico Dialético e a Psicologia Histórico-Cultural: chaves interpretativo-explicativas, metodológicas e, também, pilares de sustentação para práticas de cuidado, no campo da Atenção Psicossocial ao sofrimento humano e às situações que obliteram o desenvolvimento individual na direção da apropriação, e fruição, do patrimônio histórico do gênero humano. As reflexões combatem a medicalização social crescente e, também, buscam desvelar os nexos dos fenômenos de saúde-doença, como o sofrimento psíquico, com outros fenômenos social e historicamente produzidos na sociedade brasileira, considerando sua inserção periférica na ordem capitalista mundial. Não são simples, tampouco, diretamente visíveis, compreensíveis, e muito menos facilmente explicáveis, as significativas implicações singulares, de determinações estruturais, sobre a subjetividade e a (deterioração da) saúde mental da grande maioria da população brasileira que compõe a classe trabalhadora, esta que é impactada pela força degradante do capital, por ideologias e mecanismos de sua reprodução que regem as relações sociais de trabalho, se espraiando para as outras esferas relacionais da vida social. Eis o desafio, de desvelamento de fenômenos complexos, que os textos dessa coletânea, em seu conjunto, se esforçam para dar algumas, mesmo que modestas, contribuições críticas, analíticas e propositivas. São abrangidos temas como: – suicídio e juventude; – gênese social da depressão e da bipolaridade, tidos como transtornos em crescente prevalência na população; – as psicopatias e sua relação com a luta de classes; – a expansão e intensificação dos estados de ansiedade no mundo do trabalho; – as teses organicistas sobre a esquizofrenia, falaciosas por sua incompletude, que dão base para o incremento dos lucros do setor farmacêutico ; – a patologização de problemas sociais, como os atos infracionais de adolescentes (sendo eles psiquiatrizados), que crescem associadamente à desproteção de crianças/adolescentes, e famílias, das frações da classe trabalhadora mais impactadas negativamente pela ordem capitalista mundial; – além de sistematizar determinados conteúdos e reflexões para o ensino de psicopatologia nas graduações; aprofundar na elucidação de determinadas categorias teórico-metodológicas chaves para a pesquisa sobre o sofrimento psíquico – como a unidade afetivo-cognitiva do sistema atividade-consciência-personalidade; e oferecer argumentos em prol de novas, ou a serem revisitadas, estratégias de cuidado em saúde mental menos individualizantes e mais comunitárias, como o trabalho com famílias. Em tempos de direita ultraconservadora e ultraliberal na gestão do país, degradação ambiental extrema, interesses privados dominando a gestão de uma crise sanitária avassaladora, recordes nos lucros do setor bancário e do agronegócio simultâneos ao aumento da fome, da pobreza e da desigualdade no Brasil, e desresponsabilização estatal generalizada com relação ao bem-estar social da nação, esperamos que o livro auxilie nas motivações profissionais e na luta política, emancipatórias, em defesa da vida e por um outro modelo de sociedade.






