Descrição
A proposta desse livro é pensar a literatura de autoria feminina a partir dos eixos da memória, decolonialidade e resistência. Os textos refletem sobre a dimensão do poder de dominação e exploração do sistema colonial/moderno/capitalista/patriarcal perpetrado em distintas sociedades na América Latina. Desde proposições precedentes das relações gênero-raça, esse livro proporciona ler criticamente os modos de sujeição a que as mulheres do Sul global foram submetidas com a efetivação do processo da colonialidade. Trata-se de pensar o modo como a escrita de autoria feminina rompe silêncios, preenche lacunas e reescreve a história constituída por colonizações, ditaduras, confronto étnicos, exploração capitalista e relações hierárquicas/dicotômicas de gênero. Acreditamos que a escrita de mulheres promove, nesse sentido, projetos críticos mais conscientes de nossa condição e, consequentemente, das nossas especificidades de sujeitos colonizados pelo sistema capital/moderno/patriarcal. A literatura escrita por mulheres compartilha um conjunto de características que se explicam pelas condições de quem as produziu. Fica explícito um ponto de vista autorreflexivo, intimista, analítico sobre a identidade feminina e sobre a realidade. Surge uma ênfase a temas mais próximos da vida cotidiana, doméstica, seus afazeres e a maternidade. Além disso, há também a iniciativa de recuperação de trabalhos de autoras que foram silenciadas ou ignoradas pela história da literatura brasileira e do projeto de canonização de obras que as invisibilizaram nos âmbitos de maior prestígio.






